O PÃO DO TONI
A palavra panetone vem de panettone, tem origem no vocábulo milanês "panattón" e tem significados diversos. Diz a lenda que na Lombardia existia uma padaria. Muito bem frequentada pela vizinhança. Lá pelas 6 da tarde a fila do pão era grande. E sempre tinha uma pontual atração. Todos os dias uma moça italiana linda, ficava na fila. Não sei se por esse motivo, mas a fila aumentava nesse horário. O dono da padaria mentalmente agradecia. Todos os dias ela chegava e suavemente fazia seu pedido no caixa. Nem parecia italiana porque eles costumam falar alto, com as mãos. Sua voz era doce. Levava sempre o mesmo número de pães para a família. O rapaz do caixa a observava atentamente. Todos ficavam ligados na fila. Mas o padeiro, o humilde padeiro, a observava de longe. Ele era apaixonado por ela. Suspirava na porta, perto do grande forno. Quantos pães já fizera nessa longa estrada. Imaginava todo mundo se deliciando com o pão quentinho com manteiga ou geleia, inclusive ela. Aquele herói quase anônimo ficava ali escondido, sempre em segundo plano. Um dia, quando o Natal se aproximava, fechou a padaria e saiu caminhando pela rua. Pensava na vida, quando enxergou aquela moça, sua amada. Ela passou por ele apressadamente e chorando. Esbarrou em seu braço, mas nem o viu. Meio sem jeito, muito tímido ele se afastou e foi para casa caminhando devagar pela noite. Tão iluminada pela lua e pelas luzinhas da árvore de Natal da cidade.
No outro dia teve uma ideia. Estava inspirado. Começou a fazer um pão diferente, um pouco doce, como os olhos daquela moça. Inspirou-se mais ainda e colocou frutas cristalizadas, uvas passas e adicionou baunilha, para dar um aroma. Depois de assado, ele deixou esfriar e colocou em volta um papel transparente. Estava pronto o presente para a vizinhança. Tomou coragem e foi até a casa da tal moça. A desculpa seria um agradecimento a vizinhança, em nome da padaria. Chegando lá, a dona da casa não o deixou ir embora. Tomando um café, todos se deliciaram com o pão do Toni.
Inclusive a moça, que não tirava os olhos dele, talvez estivesse carente por alguma coisa. E a família repetia: "Que belo pão do Toni, pão de Toni". E em italiano foram enrolando a língua e virando pãoditoni...panetone! Toni conquistou todo mundo. Tendo paciência para cozinhar, esse gourmet usou a receita correta. Os ingredientes foram certeiros, feito com muito amor, conquistou um coração. Em Milão, o panetone é a vedete da cidade, seguido do queijo gorgonzola e do risoto milanês. E a lenda do panetone até parece pura verdade.
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3 de dezembro de 2016
17 de setembro de 2016
Segundo café
Elas divagavam na cafeteria. Já estavam na segunda xícara de café. Pensavam. A primeira comentou que existem vários tipos de amores. Os antigos, o que conheço algumas horas atrás e os que mal conheço. Mas existe aquele que passou e algo aconteceu. Então quero voltar e revê-lo. Esse é o mais interessante. Então pode ficar preparado para sofrer ou não. Enquanto isso, as lágrimas da segunda escorriam. Um pingo alcançou o segundo café e se diluiu. Ficou menos adocicado.
No celular tocava uma música para amenizar o momento.
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No celular tocava uma música para amenizar o momento.
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16 de julho de 2016
Mais uma palavra do dicionário da preguiça
Durante a leitura muitas vezes temos preguiça de procurar o significado de uma palavra.
Mas elas esbarram em nosso caminho. Hoje encontrei essa no meu trajeto: aparvalhado.
"Aparvalhado é particularidade de indivíduo parvo, tolo, idiota.
Que perdeu o rumo, embasbacado."
Afinal, quem nunca ficou aparvalhado? Quem nunca...
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28 de fevereiro de 2016
Mais um café
Eles brigavam muito. Por ciúmes. E por mais que declarassem a importância de seus amores, a vida volta e meia desenhava uma cena desagradável. Aquele dia ele mandou mensagem no whatsapp e ela não respondeu. Mas ele observou que ela havia lido seu apelo. Queria conversar. Marcar mais uma tentativa de reencontro. Uma chance, um café, que fosse a último talvez.
Ele resolveu que tentaria até o fim. Ela prometeu que resistiria. Estava na praia com amigos e não voltaria a cidade. O calor era insuportável. Pelo menos à beira mar sopra uma brisa, que em geral levam seus pensamentos para muito longe.
Mais uma tentativa. Uma nova mensagem. Um sorvete. Talvez seja mais atrativo que um quente café. Um sorvete de café. Faria de tudo para ter de volta aquele amor.
Enquanto nada se resolve, pelo menos gostaria que ficasse sua amiga. E então ouviu essa música: "One".
Ele resolveu que tentaria até o fim. Ela prometeu que resistiria. Estava na praia com amigos e não voltaria a cidade. O calor era insuportável. Pelo menos à beira mar sopra uma brisa, que em geral levam seus pensamentos para muito longe.
Mais uma tentativa. Uma nova mensagem. Um sorvete. Talvez seja mais atrativo que um quente café. Um sorvete de café. Faria de tudo para ter de volta aquele amor.
Enquanto nada se resolve, pelo menos gostaria que ficasse sua amiga. E então ouviu essa música: "One".
26 de dezembro de 2015
UM TOQUE
Aí vai poesia...de minha autoria:
Um toque na flor
É pétala
É amor
Um toque sensível
Na tela do computador.
Num toque das mãos
Muda a imagem
A paisagem
É abracadabra
Da imagem, da ação
É imaginação.
E o livro
A cada página
Num alento
A cada toque
Sente falta do momento
Folheado pelo vento.
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Um som no sábado
Pra curtir nesse sábado. É muito bom dizer algo ao som de um piano...
"Carlos, sossegue, o amor
é isso que você está vendo:
hoje beija, amanhã não beija,
depois de amanhã é domingo
e segunda-feira ninguém sabe
o que será."
Carlos Drummond de Andrade
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Com um toque de poesia, dedico este post a todos que conseguiram dizer alguma coisa e não desistiram ainda do amor...
"Carlos, sossegue, o amor
é isso que você está vendo:
hoje beija, amanhã não beija,
depois de amanhã é domingo
e segunda-feira ninguém sabe
o que será."
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20 de dezembro de 2015
AMIGO SECRETO
CANECA DE NATAL
Era véspera de Natal e a famosa festa do amigo secreto da escola tinha um novo motivo. O combinado esse ano era de presentear o amigo com uma caneca, de qualquer cor ou estampa. Na hora da troca, havia uma caneca vermelha, cobiçada por muitos. Mas quem ficou com o presente foi um professor, que adoeceu e nem compareceu na festa. A mesma foi guardada no armário de louças da pequena cozinha da escola.
No dia seguinte, uma secretária daquele lugar, na hora do intervalo, comeu seu lanche e não resistiu. Naquela tarde saboreou um café com a tal caneca. Escondida dos colegas de trabalho, ela ficou por instantes pensando longe. Há um mês havia brigado com seu noivo, mas ele a convidou para jantar. Aqueles minutos solitários bastaram para ela se decidir. Aceitaria o convite e depois avaliaria a situação. Afastada da rotina da secretaria, do telefone e do atendimento, aqueles minutos do dia foram de grande valia para ela.
Mas, na semana seguinte, a caneca vermelha seguiu viagem na mala do professor. O rapaz conseguiu uma bolsa de um ano para especialização nos Estados Unidos. Ficou alguns dias negociando com sua própria consciência. Esta viagem mudaria tudo em sua vida. Ficaria por muito tempo afastado da família e dos amigos. Quando voltou à escola naquela manhã, com a desculpa de buscar seu presente, conversou com uma professora que teve a mesma experiência. Esta o animou muito a se aventurar e lhe mostrou os benefícios do curso. Aquela conversa foi crucial, saiu de lá decidido a colocar o pé na estrada, no mundo.
Então, lá se foi, ele e a caneca. Mundo afora, agora ela seria internacional. Viajaria para a “terra das canecas”, como vemos nos filmes americanos. Grandes cozinhas, com balcão, diferente das nossas.
Um dia o seu dono hospedou outro professor da escola, que passaria um mês na casa dele. O novo hóspede se apaixonou pela canequinha. Quando o dono da casa saia, ele saboreava um café, ouvindo música. Naquele local pensativo, ele resolveu várias coisas e tomou decisões. Quando nos afastamos da rotina, visualizamos de longe os problemas. Parece que a análise fica mais fácil. Suas lembranças então voaram para bem longe.
Um dia voltou ao Brasil e levou a caneca, como lembrança.
E lá se foi a vermelhinha viajante de volta a sua terra, a velha escola e ao armário de louças. Foi quando apareceu uma secretária que estava grávida. Tinha um desejo de tomar um café bem quentinho e comer pão de queijo com recheio de goiabada. Enquanto saboreava o lanche, reconheceu a caneca, que um dia absorveu seus pensamentos. Casou e estava esperando seu primeiro filho.
Como numa dança, de lá pra cá, de mão em mão. Nunca uma caneca fora tão cobiçada, dando prazer há muitos que se envolveram no atraente cheiro do café. Correu mundo, acompanhando desejos e novos caminhos. E na fumaça que ia subindo lentamente, desenharam-se vontades, sonhos e novas ideias. Em todos os momentos, ninguém trocaria a simples e companheira caneca, cúmplice de seus pensamentos, pela mais requintada xícara de porcelana.
#dicadepresente: presenteie seu amigo com uma caneca. Um dia um saboroso café contará uma história, aterrisando por lá.
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No dia seguinte, uma secretária daquele lugar, na hora do intervalo, comeu seu lanche e não resistiu. Naquela tarde saboreou um café com a tal caneca. Escondida dos colegas de trabalho, ela ficou por instantes pensando longe. Há um mês havia brigado com seu noivo, mas ele a convidou para jantar. Aqueles minutos solitários bastaram para ela se decidir. Aceitaria o convite e depois avaliaria a situação. Afastada da rotina da secretaria, do telefone e do atendimento, aqueles minutos do dia foram de grande valia para ela.
Mas, na semana seguinte, a caneca vermelha seguiu viagem na mala do professor. O rapaz conseguiu uma bolsa de um ano para especialização nos Estados Unidos. Ficou alguns dias negociando com sua própria consciência. Esta viagem mudaria tudo em sua vida. Ficaria por muito tempo afastado da família e dos amigos. Quando voltou à escola naquela manhã, com a desculpa de buscar seu presente, conversou com uma professora que teve a mesma experiência. Esta o animou muito a se aventurar e lhe mostrou os benefícios do curso. Aquela conversa foi crucial, saiu de lá decidido a colocar o pé na estrada, no mundo.
Então, lá se foi, ele e a caneca. Mundo afora, agora ela seria internacional. Viajaria para a “terra das canecas”, como vemos nos filmes americanos. Grandes cozinhas, com balcão, diferente das nossas.
Um dia o seu dono hospedou outro professor da escola, que passaria um mês na casa dele. O novo hóspede se apaixonou pela canequinha. Quando o dono da casa saia, ele saboreava um café, ouvindo música. Naquele local pensativo, ele resolveu várias coisas e tomou decisões. Quando nos afastamos da rotina, visualizamos de longe os problemas. Parece que a análise fica mais fácil. Suas lembranças então voaram para bem longe.
Um dia voltou ao Brasil e levou a caneca, como lembrança.
E lá se foi a vermelhinha viajante de volta a sua terra, a velha escola e ao armário de louças. Foi quando apareceu uma secretária que estava grávida. Tinha um desejo de tomar um café bem quentinho e comer pão de queijo com recheio de goiabada. Enquanto saboreava o lanche, reconheceu a caneca, que um dia absorveu seus pensamentos. Casou e estava esperando seu primeiro filho.
Como numa dança, de lá pra cá, de mão em mão. Nunca uma caneca fora tão cobiçada, dando prazer há muitos que se envolveram no atraente cheiro do café. Correu mundo, acompanhando desejos e novos caminhos. E na fumaça que ia subindo lentamente, desenharam-se vontades, sonhos e novas ideias. Em todos os momentos, ninguém trocaria a simples e companheira caneca, cúmplice de seus pensamentos, pela mais requintada xícara de porcelana.
#dicadepresente: presenteie seu amigo com uma caneca. Um dia um saboroso café contará uma história, aterrisando por lá.
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