14 de dezembro de 2014

Sou fã

Passamos o ano inteiro sendo fã de coisas que já conhecemos. E cada vez mais torcemos por elas. Em certos momentos, descobrimos outros motivos para  gostar ou amar algo de forma especial. Somos fãs de pessoas, de amigos, de livros, escritores, artistas, músicas. Fã daquela novela. Até chegar ao final do ano e descobrir que somos fãs do mar. Talvez porque não o vemos muito. Coisas que estão bem perto ou tão distantes da gente. O bom é chegar ao final do ano descobrindo que somos fãs de nós mesmos.




 
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7 de dezembro de 2014

Mais uma história de Natal



ENTRE LIVROS

Saindo da cafeteria, sigo pela avenida iluminada. A cidade tem seu toque de Natal nesse início de dezembro. Apesar do dia tão quente, a noite promete ser mais amena, devido ao vento. Ando distraída, pensando longe. No automático. Meu olhar observa as vitrines. E chega a um cenário especial. Entre tantas da rua, aquela chama minha atenção. Ao contrário de luzes chamativas, dois abajures iluminam o ambiente. É uma loja de móveis. Na vitrine foi montado um quarto super moderno. Daqueles que sonhamos ao olhar. Com dois abajures, como se fossem enfeites de Natal brilhando na escuridão.
Então, deparei com um detalhe. Enxergo um homem encostado na parede, ao lado da vitrine. E para meu espanto ou agrado, tem nas mãos um livro. Aproveitando a luz, ele lê tranquilamente na rua. Desligado dos barulhos do trânsito e tudo mais. Foquei naquela cena. Lembrei de minha fila de livros que esperam ao lado da cama. Muitas noites o cansaço me vence, não consigo organizar a leitura.
Continuo meu caminho. Passo por outra vitrine, agora muito iluminada, chamativa, clara. Uma árvore enorme, enfeitada com bolas vermelhas e douradas complementa o ambiente natalino. Ela cairia bem numa cidade distante e fria. Com neve. Mas essa não tem nenhum protagonista.
Entro em casa e vou em direção ao quarto. Apanho o livro que deixei inacabado, ainda com a página derradeira marcada. Pretendo terminá-lo essa noite, à luz do meu abajur.


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3 de dezembro de 2014

De volta

Um som nessa quarta.
Para animar a madrugada de quinta. Do filme "About time".




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12 de novembro de 2014

Tudo registrado

Um intervalo no assunto Feira do Livro para curtir um som.
Agora gostamos de filmar, fotografar o momento. O amor vira filme, poesia, música, alegria. Tudo devidamente registrado na memória...




"Por quanto tempo vou te amar?
Enquanto as estrelas estiverem em cima de você
E por muito mais tempo, se eu puder."




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7 de novembro de 2014

Na Feira do Livro (3)


ACONTECEU NA FILA

Dia abafado em Porto Alegre. Chove um pouco mas logo encontro a praça de autógrafos. Em meio ao calor de uma tarde de novembro, uma voz simpática me indicava onde começaria a fila. Era um garoto moreno, simples e educado. Quando a fila andou um pouco ele me questionou se o autor autografaria mais de um livro, quando me observou com dois títulos nas mãos. Respondi que achava que sim. Ele rindo falou que faltou verba para comprar outros. Primeiro encanta, depois surpreende. Até deu vontade de perguntar quanto faltou em dinheiro para mandá-lo voltar a uma banca mais perto. Mas a fila andou e a conversa se perdeu no trajeto. Entendi que o seu nome era Marlon. Lembrava até um jogador de futebol, era uma figura diferente na multidão. Depois de conseguir o autógrafo, lá foi ele faceiro, com a sacolinha do livro balançando pelo caminho. Simplicidade e felicidade caminhavam juntas, ao tom da realização. Pensei na sua emoção naquele momento. Feito, Marlon!!! Mesmo assim cumpriu sua meta. Belo gol. Em todos os sentidos...
Quase fim de feira. Sentada na praça de alimentação comentei sobre o garoto. Reli sua história, que ficou guardada na memória.




 

Segue o blog. E minhas histórias na Feira...

6 de novembro de 2014

Na Feira do Livro (2)

Férias. Feira do Livro. Filas. Fernando Pessoa. Firme e forte. Felicidade. De quantos efes precisarei para descrever os 60 anos de feira...fico pensando.
Comprando livros, esperando autógrafos, com boas lembranças e novas ideias, encontrando amigos, escritores, garimpado as bancas, ouvindo a voz da moça que anuncia a programação, tentando achar as cartas de Fernando Pessoa à Ofelia, conferindo as #ficaadica de livros dos amigos, registrando imagens, pensando poesia e andando sem pressa pela praça...
Em meio a tudo isso, alguém pergunta:
- Quantas vezes você já foi na Feira do Livro esse ano?!!
Respondo:
- Três ou quatro...amanhã acho que vou novamente.





"Mas esta linda e pura semideia,
Que, como o acidente em seu sujeito,
Assim co"a alma minha se conforma,

Está no pensamento como ideia;
[E] o vivo e puro amor de que sou feito,
Como matéria simples busca a forma.!"


(trecho de poema de Camões)


Segue o blog e a Feira do Livro até 16 de novembro na Praça da Alfândega em Porto Alegre.





5 de novembro de 2014

Na Feira do Livro (1)

A FILA ANDA...

Porto Alegre. 35 graus. Ela andava perto da Praça de Autógrafos, em plena Feira do Livro, quando perdeu a alça da sandália. Procurou por tudo. Passava o olhar pelo chão, andando em voltas. Tanto girou, que naquele calor chega a tontear. De repente, avista a tira de couro, apanha-a e tonteia de vez. Acha que é  a pressão. Consegue sentar na primeira cadeira que enxerga. Baixa a cabeça, ajeita a sandália. Quando levanta o olhar, enxerga uma pequena fila que forma-se a sua frente. Olha a placa, atrás da mesa e lê: "Ana Maria Santos Kilda". Nunca ouviu falar, mas a moça que sorri sem parar para ela, acho que ouviu. Quando vai balbuciar alguma coisa e tenta explicar, a moça atropela a fala e coloca um livro na sua frente:
- Como esperei por esse momento!!!
- Esperou? diz ela.
- Sim, para conhecer a autora. Seus romances estão cada vez melhores.
Ela começa a entender. Vai tentar falar novamente, quando alguém lhe estende a mão, alcançando uma caneta.
- Está aí...pode autografar.
- Mas...
- Sem mas...não seja tão humilde, aposto que escreveu tudo isso na viagem.
- Viagem? diz ela cada vez mais apavorada.
Aqueles instantes viraram momentos de terror. Mas onde será que anda essa Ana Maria sei lá das quantas!!
E a moça, sem quase respirar continuava:
- Decerto foi naquela viagem de Portugal.
- Eu nunca fui a Portugal, pensa a mais nova escritora. Atualizando o pensamento é um #sonhodeconsumo.
- E também o romance com aquele desconhecido, que você encontrou na cafeteria, deve ter sido verdade...
Foi quando chegou a Ana Maria. Esbaforida. Trazendo a bolsa quase desabada no braço, livros, caneta. Suando as bicas. Ajeitando o cabelo.
- Desculpe o atraso, pessoal!!
A primeira da fila não entendeu nada. Só viu um vulto de mulher sumindo pela escada da Praça de Autógrafos. A escritora, desdobrando-se em sorrisos, apontava para os leitores e dizia:
-  Venham, venham!! Serei rápida, que venha o primeiro. Quer tirar uma foto?
Selfie... Podes colocar no face!!!



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