5 de novembro de 2014

Na Feira do Livro (1)

A FILA ANDA...

Porto Alegre. 35 graus. Ela andava perto da Praça de Autógrafos, em plena Feira do Livro, quando perdeu a alça da sandália. Procurou por tudo. Passava o olhar pelo chão, andando em voltas. Tanto girou, que naquele calor chega a tontear. De repente, avista a tira de couro, apanha-a e tonteia de vez. Acha que é  a pressão. Consegue sentar na primeira cadeira que enxerga. Baixa a cabeça, ajeita a sandália. Quando levanta o olhar, enxerga uma pequena fila que forma-se a sua frente. Olha a placa, atrás da mesa e lê: "Ana Maria Santos Kilda". Nunca ouviu falar, mas a moça que sorri sem parar para ela, acho que ouviu. Quando vai balbuciar alguma coisa e tenta explicar, a moça atropela a fala e coloca um livro na sua frente:
- Como esperei por esse momento!!!
- Esperou? diz ela.
- Sim, para conhecer a autora. Seus romances estão cada vez melhores.
Ela começa a entender. Vai tentar falar novamente, quando alguém lhe estende a mão, alcançando uma caneta.
- Está aí...pode autografar.
- Mas...
- Sem mas...não seja tão humilde, aposto que escreveu tudo isso na viagem.
- Viagem? diz ela cada vez mais apavorada.
Aqueles instantes viraram momentos de terror. Mas onde será que anda essa Ana Maria sei lá das quantas!!
E a moça, sem quase respirar continuava:
- Decerto foi naquela viagem de Portugal.
- Eu nunca fui a Portugal, pensa a mais nova escritora. Atualizando o pensamento é um #sonhodeconsumo.
- E também o romance com aquele desconhecido, que você encontrou na cafeteria, deve ter sido verdade...
Foi quando chegou a Ana Maria. Esbaforida. Trazendo a bolsa quase desabada no braço, livros, caneta. Suando as bicas. Ajeitando o cabelo.
- Desculpe o atraso, pessoal!!
A primeira da fila não entendeu nada. Só viu um vulto de mulher sumindo pela escada da Praça de Autógrafos. A escritora, desdobrando-se em sorrisos, apontava para os leitores e dizia:
-  Venham, venham!! Serei rápida, que venha o primeiro. Quer tirar uma foto?
Selfie... Podes colocar no face!!!



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31 de outubro de 2014

60ª Feira do Livro de Porto Alegre

VEM PRA FILA!!!

"Quando se vê, já é sexta-feira...
Quando se vê, passaram 60 anos." (de "666" de Mario Quintana)

A Feira do Livro completa 60 anos de Praça da Alfândega. Aproveite!!!


A SAUDOSA FILA

Não há como lembrar de uma Feira do Livro, sem recordar o poeta. Tenho alguns autógrafos  de Quintana e a grata lembrança de ter falado com ele. Um dia, numa fila de autógrafos, parei na frente do poeta e disse meu nome, esperando a dedicatória. Ele levantou os olhos e perguntou:
- Marisa com s ou z?
Com certeza o autógrafo que tenho hoje no livro "Esconderijos do Tempo", autografado em 13/11/1981, guarda a forma carinhosa e correta de escrever meu nome.
A foto mostra Mario Quintana, o patrono da Feira do Livro de 1985 em Porto Alegre.



"Se a figura de Carlos Drummond de Andrade está soberanamente de pernas cruzadas na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, em estátua de costas ao mar, o poeta ficou desta vez em pé, na Praça da Alfândega, em Porto Alegre. Quem está sentado é Mario Quintana. A escultura criada por Xico Stockinger reúne os dois poetas, no coração e centro da capital gaúcha, onde é realizada a tradicional Feira do Livro."


Segue o blog...Feira do Livro de Poa: de 31 de outubro a 16 de novembro.

19 de outubro de 2014

#ideias


Quando comecei a estruturar o blog em 2011, coordenada pela amiga Érica, a gata Branquinha circulava em volta da gente. Passava pelo teclado, andava em torno  de uma caixa de bombons que estava perto do computador. Ela parecia querer chamar a atenção, enquanto estávamos ligadas em outras coisas, em ideias para o blog funcionar. 
Confesso que até hoje quando estou desenvolvendo minhas ideias preservo o silêncio. Gosto de acordar cedo, preparar um café e escrever em paz. Ou ficar acordada à noite quando vem a inspiração. Em outros dias, preciso de trilha sonora. Tenho achado muitos escritos meus de anos atrás. Lido e relido. É interessante rever coisas, ver o que mudou, que talvez na sua essência não mudaram. E observar o que podemos aperfeiçoar. Gosto de reciclar meus posts.
A vida, movida pela inspiração e novas ideias, circula em nossa volta.

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3 de outubro de 2014

Claquete de sexta

Do filme "Mesmo se nada der certo" com Adam Levine...


"Será que todos somos estrelas perdidas
tentando iluminar a escuridão?"
 

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4 de setembro de 2014

Uma certa manhã de setembro


Setembro finalmente. E até então, Porto Alegre segue meio nublada. Ventando. Mas temos esperanças, com previsões para 10 dias. Há de vir uma frente fria e seca que trará com ela uma bela manhã de setembro. Deu um céu tão azul, de brigadeiro, como dizem. Esta é uma antiga esperança que guardamos com a gente porque setembro e a primavera sempre foram cantados em músicas, que rondam nossa memória. E, muitas vezes, algo nos surpreende porque a natureza também pode ser imprevisível.
Portanto, se encontrares a verdadeira manhã de setembro, não a deixe escapar de seu olhar, guarde-a na memória, aprisione em seu coração esse momento. Se precisar, perca uns minutos de seu trabalho, de suas atividades diárias e a observe. Aproveite. Caminhe por ela. A esperança é que até a semana que vem ela será encontrada.
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