26 de outubro de 2013

A Feira do Livro vem aí

Da minha nublada e chuvosa janela de sábado em Porto Alegre, lembro de uma poesia e da maior feira em espaço aberto da América Latina, a Feira do Livro de Porto Alegre:


"Escrevo diante da janela aberta
Minha caneta é cor das venezianas:
Verde!...E que leves, lindas filigranas
Desenha o sol na página deserta!

Não sei que paisagista doidivanas
Mistura os tons...acerta...desacerta
Sempre em busca de nova descoberta,
Vai colorindo as horas quotidianas...

Jogos da luz dançando na folhagem!
Do que eu ia escrever até me esqueço...
Pra que pensar? Também sou da paisagem...

Vago, solúvel no ar fico sonhando
E me transmuto...iriso-me...estremeço...
Nos leves dedos que me vão pintando!"



(Mario Quintana - da Rua dos Cataventos)


  #diretododicionário
 Irisar significa dar as cores do arco-íris.
 Filigranas são obras de ouriversaria formadas de fios de ouro e prata  delicadamente entrelaçados e soldados ou impressão feita no ato da fabricação do papel que só se vê por transparência, muito usada em selos e cheques de bancos.
Doidivanas significa indivíduo leviano, meio doido.
Transmutar é alterar, fazer mudar de lugar.



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24 de outubro de 2013

Uma quinta inspirada


Num dia qualquer, numa noite que seja. Por que não podemos de vez em quando, volta e meia, às vezes, só um pouco, #sometimes, curtir uma música assim falando de amor e tão inspirada? 
Quem sabe aumente o volume...





 
 
 
 
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20 de outubro de 2013

Nada é definitivo

O que ela mais gostava nele era seu jeito meio intelectual porque lia muito. Gostava de conversar sobre tudo. Ele sempre entendia de tudo. Quem lê carrega uma certa sabedoria própria. Eles sempre se encontravam na cafeteria. Lembra do primeiro dia que o enxergou com o laptop, sentado num canto. Parecia seu escritório, ficava absorto, nem prestava atenção nela. Mas um dia começou a prestar. O que ele gostava nela era o jeito leve de levar a vida e o pensamento positivo. Dona de um sorriso que vale por muita coisa e remove montanhas, mas, ao mesmo tempo de um olhar meio triste e distante. Lembra que o pedido do café veio errado. Decerto a atendente se confundiu com o número das mesas e entregou o seu café a ela. Trocaram olhares e a história começou meio atrapalhada, mas começou.
Agora a ameaça de separação rondava o casal. Aquele curso tão longe e tão sonhado por ele separaria os dois por um tempo. O que aconteceria daqui para frente? Só o destino sabe. E no dia da partida, ele veio com uma ideia diferente. Confessou seu amor e não sabia como se comportaria à distância. Mesmo com a internet, e-mails, facebook, mesmo assim o dia a dia é às vezes inusitado.
Por esse motivo, ele optou por simplesmente amá-la. Levaria no pensamento as lembranças e cuidaria de longe. Pensou em terminar tudo mas sabia que seria difícil. Pegou a passagem e deu a última olhada para trás. Disse que se afastava e a deixaria livre para pensar sobre a vida. Sabia dentro de si que sempre estaria pensando e cuidando dela, deixando o futuro agir e reagir. Achava bonito um amor opcional, que não deixa de ser amor pela intensidade e cuida de longe, pelo simples fato de amar tanto. E deixá-la seguir o próprio caminho, o deixava completamente feliz.
A mochila parecia mais pesada que o habitual. Acomodou-se no trem com os fones e ouvia uma música. Aquela música que traz lembranças na melodia...
Essa história talvez tenha um meio final, já que o "the end" sempre é definitivo.




 
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